Por: Maria Paula Miranda Chaim

Uma família ao receber o diagnóstico de transtorno do espectro autista do filho, normalmente escuta que a intervenção precisa ser precoce, intensa e baseada em evidências científicas para favorecer o desenvolvimento do filho. Ao sair do consultório médico, mães e pais, muitas vezes perdidos e desamparados começam a buscar a melhor alternativa para esta pequena criança. Qual método escolher? Qual o profissional mais adequado? Devo matriculá-lo em uma escola? Terá que ter acompanhante exclusivo na escola? Quantas horas de terapia? Ele precisa de uma equipe multiprofissional? Todas essas respostas e outras são encontradas apenas após uma avaliação individualizada, por profissionais capacitados.

Ainda que a família tenha escolhido profissionais e métodos que tocaram seu coração, muitas vezes a angústia ainda permanece. E se eu escolhesse outro caminho? E se aumentassem as horas de terapia? E se chegar a idade e ele não atingir os marcos. Esses são apenas alguns “e se” de tantos outros que geram dor, sofrimento e tiram a paz das famílias.

Ainda têm aquelas palavrinhas que foram ditas na consulta médica: precoce, intenso e baseado em evidência. Uma delas é fácil de responder: baseado em evidência. Sim, existem diversos métodos, abordagens e ciências comprovadas para estimular crianças autistas. E além disso, existem diferentes formas de evidências que precisamos verificar: as científicas, as clínicas e aquelas baseadas na perspectiva dos cuidadores.
Porém, quando os tópicos são: tratamento precoce e intenso, existem algumas subjetividades que precisam ser consideradas. O que seria precoce? O que seria intenso para essa criança? O que seria possível para essa família?

Frequentemente escuto queixas como: “Maria Paula, meu filho chegou aos 4 anos e ainda não falou. Não tenho mais tempo, é isso? Ele não vai mais falar, porque agora não dará mais tempo de estimulá-lo precocemente.”

Relatos como esse são recorrentes no dia-a-dia do consultório. Sim, a intervenção precoce e intensa faz toda a diferença no desenvolvimento, uma vez que quanto mais nova, maior é a plasticidade cerebral da criança, porém, não existe uma idade limite para a estimulação e também não existe um marco determinante para desistirmos de uma criança.

Crianças maiores, jovens, adultos e idosos, também possuem plasticidades cerebrais e também são capazes de aprender, ainda que respeitando suas devidas limitações. Te convido hoje a oferecer o melhor que puder ao seu filho, a validar todas as conquistas, a acolher todas as tentativas e a acreditar no potencial da sua criança, independente da idade! Não existe tempo limite para o desenvolvimento!