Por: Maria Paula Miranda Chaim

Para pais, mães, famílias e profissionais que trabalham com crianças autistas, talvez este texto não tenha relevância. Escrevo este texto para a sociedade de uma ampla. Para o porteiro da escola, para a moça da padaria, para o vizinho do prédio, para o amigo da família, para a aeromoça, para a tia da brinquedoteca, para todos aqueles que não tem um autista em seu dia-a-dia, mas que com certeza terão a oportunidade de encontrar, conviver e aprender com um.

Socialmente, autismo está relacionado com aquela criança que vive em seu mundo particular. Aquela criança que não brinca, que tem sons estranhos, cheias de manias e que não gosta de outras crianças. Hoje, sabe-se que o diagnóstico de transtorno do espectro autista, é um diagnóstico amplo, obscuro e com muitas perguntas sem respostas, porém, limitar as crianças autistas as características descritas acima, seria no mínimo injusto com elas.

Crianças autistas também são amorosas, fiéis, carinhosas, capazes de desenvolver, excelentes para ensinar, tem potenciais a serem explorados, gostam de brincar, aprendem a se comunicar, apresentam comportamentos surpreendentes e gostam de estar com outras pessoas.

E aquela classificação apresentada no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, que diz que crianças autistas apresentam alteração no funcionamento do sistema nervoso central, principalmente na díade: déficit na comunicação e déficit na interação social, com comprometimento da linguagem, empatia, com padrões restritos e repetitivos de comportamento. Então está classificação está equivocada?

Não, está classificação está correta. E são estes critérios que fazem a criança receber o diagnóstico, porém, a classificação não pode ser limitante. Existem diferentes formas de existir, assim como existem diferentes autistas. Entretanto, independente da gravidade, comprometimento ou habilidade, todos são dignos de receber amor, acolhimento, empatia e carinho. O mundo é um mundo heterogêneo. Cada um tem suas particularidades e singularidades. Que sejamos uma sociedade capaz de substituir um olhar julgador para uma criança autista por um olhar acolhedor; o preconceito por estratégias de inclusão; o descaso por empatia; e a indiferença por amor.

Como disse uma vez Amanda, uma amada mãe de uma criança autista: “diariamente eu preparo o meu filho para o mundo, mas o mundo está preparado para o meu filho?”

Que amanhã possamos responder a ela: sim, estamos preparados para receber seu filho. Estamos cheios de amor, empatia e abertos para aprender com ele.