Por Isabella Mendes,
Fonoaudióloga do corpo Clínico do Caminhando Pela Infância, Mestre em Ciência da Saúde e há 12 anos apoiando à amamentação

Além dos fatores emocionais promovidos pelo vínculo mãe-bebê, a ciência tem mostrado melhor cognição, desempenho escolar e expressão verbal nas crianças em aleitamento materno exclusivo, ao menos, nos 3 primeiros meses de vida.

A base para esse efeito positivo sobre a amamentação e o grau de influência da amamentação nos laços afetivos entre mãe e filho são facilitados pela secreção de ocitocina pela mãe e pela variedade de agentes nutricionais presentes no leite materno.

Pesquisadores afirmam que vários elementos presentes no leite materno beneficiam o desenvolvimento neurológico, com atenção especial ao ácido araquidônico (AA) e ao ácido graxo docosahexaenóico (DHA), cuja concentração varia de acordo o consumo de peixe na dieta materna. Estes elementos são componentes estruturais das membranas celulares da retina, da matéria cinzenta do cérebro (córtex) e ajudam a construir as bainhas de mielina ao redor das fibras nervosas, o que facilita a neurotransmissão química.

Sendo assim, podemos afirmar que a amamentação promove fatores genéticos, ambientais, nutricionais e emocionais que influenciam um dos processos mais complexos do desenvolvimento humano que são as habilidades cognitivas da criança.

Sinais de autismo no Bebê

Sabemos que quanto mais precoce o diagnóstico do autismo, maiores e mais rápidos serão os ganhos alcançados no processo terapêutico. Para isso, é importante conhecer os sinais que podem ser observados pelos pais no primeiro ano vida, e que indicam necessidade de buscar um especialista para diagnóstico e início da estimulação. São eles:

– Baixo Contato visual – Apesar de apresentar contato visual, este não é sustentado. Durante a amamentação, por exemplo, as crianças com desenvolvimento atípico olham para a mãe mais rapidamente e buscam olhar para estímulos atrativos ao seu redor (lustres, movimentos ao seu redor), muitas vezes, sem a troca de toques.

– Excesso de Irritabilidade ou Passividade: São crianças que em geral se irritam facilmente com o ambiente e o toque das pessoas, se desregulando facilmente. Por outro lado, pode ser mais sonolentas e quase não reagem aos toques e ao ambiente.

– Pouca Interação Social: Apresentam maior preferência por brinquedos do que pelas pessoas, respondendo pouco aos estímulos das pessoas ao seu redor. Quando interessam pelo brinquedo, não compartilham o brinquedo e nem a atenção com quem está por perto.

– Ausência ou Pobreza de Balbucios: Por volta dos 6 meses, a criança com desenvolvimento típico, apresenta muitos balbucios e interage com o adulto, ao brincar com estes sons. As crianças atípicas realizam poucos balbucios e praticamente não interagem com os adultos.

– Perda de Habilidades Adquiridas: Em geral, essas crianças apresentam bom desenvolvimento inicialmente e, ao final do primeiro ano, tendem a regredir, perdendo ou estagnando nas habilidades alcançadas, mesmo na presença de estímulos.

Vale ressaltar que a crianças com desenvolvimento atípico são capazes de realizar estes comportamentos, porém, os fazem menos frequentes. Sendo assim, é importante estar atento às sutilezas de sinais apresentadas por elas e quando necessário, procure uma equipe especializada.